Transtorno do Humor Bipolar
O Transtorno do Humor Bipolar (THB) é um doença crônica, séria, que pode ser incapacitante e, por isso, exige diagnóstico precoce e instituição de tratamento o mais rápido e eficazmente possível. Este transtorno possui importantes repercussões na vida dos seus portadorese de seus familiares.
A adesão do paciente ao tratamento é fundamental e, portanto, quanto mais informações este e sua família obtiverem sobre a doença e dos tratamentos disponíveis, melhor será o prognóstico (na maioria dos casos).
O êxito na abordagem das pessoas acometidas pelo THB advirá da percepção da complexidade do que é esta doença.

O primeiro passo é: identificar o que é característico da doença ( o que está presente na grande maioria dos seus portadores). Para isto são usados critérios diagnósticos objetivos que nos permitem reconhecer a doença e que são descritos em Manuais de Diagnósticos de Transtornos Mentais ( como o DSM-IV e a CID-X).
O segundo passo, não menos importante, é apreender o significado dado para o Transtorno pelo paciente, seus familiares, amigos, colegas de trabalho, das pessoas enfim que convivem com um portador de THB - ou seja, a percepção subjetiva deste Transtorno.
O terceiro passo é verificar em que contexto sócio-familiar está ocorrendo a doença e o uso que o próprio paciente e seus familiares fazem da doença. Nos parece, portanto, que esta visão integradora da doença, do paciente e seu meio sócio-familiar possibilita maiores chances de êxito no tratamento desta doença séria e crônica.


 

1• O QUE É TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR ?

O THB é um Transtorno Mental que se insere nas classificações psiquiátricas como um Transtorno de Humor. De acordo coma 4ª Edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais editado pela Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV) os
Transtornos de Humor possuem dois grandes subtipos: Transtornos Depressivos (Depressão Unipolar) e Transtornos Bipolares (antigamente denominados de Psicose Maníaco-depressiva). O THB se caracteriza por apresentar ciclos recorrentes de mania (euforia), de depressão ou mistos (episódios nos quais há mistura de mania e depressão). Estes ciclos podem ocorrer em variados graus de apresentação, intensidade e duração ao longo da vida. Basicamente, o THB classifica-se da seguinte forma:
A) THB Tipo I – ocorrência de um ou mais episódios de mania ou mistos
B) THB Tipo II – ocorrência de um ou mais episódios depressivos maiores, acompanhados de pelo menos um episódio hipomaníaco.
C) Transtorno Ciclotímico – ocorrência, por pelos menos dois anos, de numerosos períodos de sintomas hipomaníacos e depressivos (estes últimos não satisfazem os critérios para um Episódio Depressivo Maior).

 

O correto diagnóstico do THB é fundamental pois isso possui conseqüências sobre o tipo de tratamento a ser adotado. Muito freqüentemente o THB pode ser confundido com Esquizofrenia e outros Transtornos psicóticos (como o Transtorno Esquizoafetivo), Transtornos de Personalidade (como o Transtorno Borderline), psicoses induzidas por drogas, entre outros.

2• TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR É COMUM ?

O THB ocorre em cerca de 1% da população, o que significa que existem cerca de 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos e de 1,8 milhão no Brasil. Em geral, esta doença inicia sua sintomatologia clássica entre os 15 e os 19 anos. Quando os critérios diagnósticos são ampliados para as formas ditas subsindrômicas (formas leves) que ocorrem no assim chamado “espectro bipolar”, a prevalência na população pode subir para até 3 a 6%. Hoje em dia já se reconhece que bem antes (até mesmo na infância) já podem surgir sintomas precoces deste Transtorno. A idade média do primeiro tratamento, entretanto, é de 22 anos, o que significa que entre as primeiras manifestações da doença e a introdução do primeiro tratamento há um período importante em que o paciente fica “à deriva” de sua própria doença o que pode ter sérias conseqüências sobre a própria evolução deste transtorno. Existem dados mostrando que uma mulher cujo início do THB ocorre em torno dos 25 anos terá cerca de 14 anos de perda de funcionamento efetivo na vida. Portanto, o diagnóstico precoce é fundamental para se evitar ou diminuir os efeitos do THB sobre os seus portadores e familiares. Não existe diferença entre sexos, ou seja, o THB é igualmente prevalente em homens e mulheres. A mais grave conseqüência do THB é o suicídio. Cerca de 25 a 50% dos portadores tentam suicídio e em torno de 15 a 20% dos pacientes com THB cometem efetivamente o suicidio. Importante salientar que cerca de 5 a 15% dos pacientes bipolares são cicladores rápidos, ou seja, apresentam mais de 4 episódios por ano da doença. Estes casos necessitam cuidado especial pois possuem um prognóstico pior. Um outro aspecto relevante é que cerca de 60% dos bipolares fazem uso abusivo de substâncias psicoativas (álcool, drogas) e que este uso abusivo predispõe a episódios mistos. Estes episódios mistos, por sua vez, estão relacionados a importantes taxas de suicídio.

3• QUAIS AS CAUSAS DO TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR?
Pesquisas mais recentes têm apontado várias causas para o THB. Entretanto, sabe-se que existe um papel primordial da transmissão genética para o desenvolvimento deste transtorno. Assim, é bastante comum ocorrerem vários casos na mesma família. Estes casos podem variar desde formas graves de apresentações da doença (episódios psicóticos de mania e/ou depressão), apresentações de comorbidades (como, por exemplo, abusadores de álcool e/ou drogas), história de suicídio oi de tentativas de suicídio na família, até apresentações ditas subsindrômicas (ou seja, formas ditas “leves”, nas quais seus portadores apresentam variações de humor repentinas, “personalidade forte”, pessoas irritadas ou agressivas). Portanto, existe um substrato biológico nos portadores de THB que é fundamental e, sem o qual, não há aparecimento da doença. Sobre este substrato biológico podem ocorrer inúmeras outras causas como estressores vitais, psicológicos, sociais, entre outros. O THB é uma doença biológica na sua origem, psicológica na sua expressão, seu curso pode ser influenciado pelo social e traz sérias conseqüências na esfera familiar. É importante entender que o THB faz parte de uma pessoa única que possui uma história única, nascida em um tempo, lugar e contexto sócio-familiar únicos.Portanto, apenas uma abordagem multicausal pode efetivamente auxiliar os pacientes.

4• O HUMOR BIPOLAR É TRANSMITIDO GENETICAMENTE?

A resposta para esta pergunta é sim, entretanto a Medicina ainda não conseguiu responder de forma completa de que forma mais exatamente esta transmissão genética (hereditária) ocorre. Provavelmente, o chamado Projeto Genoma que vem mapeando os genes humanos auxiliará muito neste mistério nos próximos anos. No momento, as evidências epidemiológicas, particularmente a partir de estudos com gêmeos uni e bivitelinos, sugerem fortemente que os Transtornos de Humor são adquiridos hereditariamente. Ou seja, as chances de um portador de THB vir a ter um filho portador de THB ou Transtorno de Humor Bipolar são maiores do que as pessoas que não possuem esta doença. Entretanto, isto não significa de forma alguma que esta chance é de 100%. Os filhos de um portador de THB podem apresentar, além do THB, outros Transtornos semelhantes (como Depressão Unipolar, Distimia, Ciclotima, Transtorno Esquizoafetivo, entre outros), podem apresentar apenas características ditas subsindômicas (personalidade hipertímica, por exemplo) e também podem não apresentar nenhum Transtorno Mental. A genética é extremamente complexa e variável. Da mesma forma, uma pessoa que possui na sua história familiar casos de THB ou de depressão (às vezes, aparecendo como casos de alcoolismo, uso de drogas ou suicídio na família), deve estar mais atenta para o desenvolvimento de sintomas destas doenças

5• É DIFÍCIL O DIAGNÓSTICO DO TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR?

Não, mas é complexo. Para se realizar o diagnóstico é preciso, em primeiro lugar, se pensar nele. Em segundo lugar, distingui-lo do sentimentos humanos presentes no dia a dia da vida das pessoas – como a alegria e a tristeza – o que, muitas vezes, é confundido com a euforia e a depressão que são sintomas básicos do THB. O diagnóstico final deve ser feito pela pessoa habilitada, preparada e treinada para este fim, que é o médico psiquiatra.

6• COMO RECONHECER O TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR?

É importante salientar que sentimentos de tristeza, alegria, raiva, até um mau-humor eventual são considerados normais no ser humano. Então, como identificar quando estes sentimentos passam a barreira da normalidade e são considerados sintomas do Transtorno Bipolar? Na verdade, não existem aparelhos, tipo termômetro, ou exames, por exemplo, de sangue ou de Raios-X, que revele quando os sentimentos “normais” tornam-se doença. Sabe-se que o THB manifesta-se de diferentes formas e a intensidade das emoções e do comportamento dos portadores também é variável. Além de identificar o aparecimento dos sintomas descritos abaixo, deve ser observados o tempo de duração e o impacto dos mesmos no funcionamento marital, social e/ou profissional. Por exemplo: se o paciente mostra-se triste por um dia ou até mesmo chora, não significa que está em crise, pode ser simplesmente um “mau dia”. Porém, se passam os dias e, além da tristeza, apareça alteração do sono, apetite ou da maneira de se relacionar com os familiares ou colegas, convém procurar ajuda profissional para ser avaliado.
Também, é importante salientar que os sintomas da doença raramente se manifestam de forma abrupta. È comum que os sintomas apareçam de maneira gradual tornando inicialmente difícil sua diferenciação de sentimentos de um “mau dia”. Faz-se necessário que os familiares de pacientes portadores de THB estejam
tentos à persistência de sintomas como irritação, mau humor, alegria que dure vários dias, desânimo constante, tristeza por motivos pouco importantes e assim por diante. È nestes momentos que o tratamento pode ser instaurado evitando pioras desnecessárias.
Os sintomas mais freqüentemente encontrados podem ser sub-divididos em episódios depressivo, maníacos, hipomaníacos e misto.
Episódio Depressivo
Os episódios depressivos se caracterizam por um período de mais de duas semana de humor irritado ou triste que acarretam em prejuízo em uma das seguintes áreas do indivíduo. Na suas relações familiares e conjugais, no trabalho e no seu circulo social. Os sintomas mais comuns nos episódios depressivos são:
Sentimentos profundos de tristeza, sensação de vazio, falta de esperança, em alguns casos isto pode se apresentar como irritabilidade;
Perda ou diminuição do interesse por situações que antes causavam prazer (como trabalhar, lazer, sexo);
Diminuição ou aumento de peso sem estar de dieta, por falta ou aumento do apetite;
Dificuldade de dormir (insônia) ou então sentir muito sono (hipersônia);
Inquietação ou sensação de estar mais lento para realizar tarefas habituais;
Cansaço exagerado, sensação de fraqueza;
Sentimentos de inutilidade, pessimismo, desvalorização e culpa;
Dificuldade de se concentrar, de pensar, de se decidir e de registrar ou evocar informações;
Pensamento de morte, fazer planos para que isso aconteça, bem como tentativas de suicídio.
Episódio Maníaco
Os episódios maníacos se caracterizam por um período de mais de uma semana de humor elevado que acarretam em prejuízo em uma das seguintes áreas do indivíduo. Na suas relações familiares e conjugais, no trabalho e no seu circulo social. Os intomas mais comuns são os seguintes:
* Grandiosidade, auto-estima exageradamente elevada, irritação;
* Acha tudo fácil de resolver, pode gastar excessivamente e contrair dívidas desnecessárias;
* Diminuição da necessidade de sono, sem diminuir a energia ou o ânimo;
* Muitas idéias, pensamento rápido;
* Falante além do habitual, demonstrando necessidade de falar, tornando-se inconveniente;
* Não consegue concentrar-se, modificando constantemente as atividades, age por impulso;
* Exposição à conduta de risco, não avaliando o perigo real por se achar “poderoso” (dirigir perigosamente, brigar verbal ou fisicamente com desconhecidos, envolver-se sexualmente com vários parceiros).
* Pode apresentar, em casos mais graves, alucinações (ver ou ouvir coisas que não existem) ou delírios (imaginar que está sendo perseguido, acha que possui poderes ou é famoso).
Muitas vezes torna-se necessária a internação hospitalar para proteger o paciente dos riscos a que está exposto.
Episódio Hipomaníaco
Os Episódios hipomaníacos se caracterizam por serem bastante semelhantes aos episódios maníacos, porém os pacientes seencontram com relativo controle sobre suas atitudes. Uma pessoa em estado hipomaníaco pode estar fazendo gastos excessivos, se envolvendo em relações sexuais potencialmente dolorosas e ainda se manter ativo e efetivo no seu local de trabalho. Seus colegas podem achá-lo muito bem humorado, “nunca esteve melhor em toda sua vida”, e este se sentir mais livre do que nunca, ousado, decidido, com ótima auto-estima, com idéias que vão mudar sua vida. Muitos destes episódios passam desapercebidos pela maioria das pessoas à exceção de pessoas próximas que conheçam bem a pessoa. È importante ressaltar que muitos podem suspeitar que o paciente venha usando drogas por considerá-lo “alto de mais”. È comum que o diagnóstico de episódio hipomaníaco se faça após este ter passado, ou em um período depressivo quando seu médico o questiona por momentos de euforia no passado.
Episódio Misto
Os episódios mistos são caracterizados por uma mistura de sintomas tanto de depressão quanto de mania (euforia). Estes pacientes geralmente se encontram em um estado de humor muito conflitante. Podem estar sentindo uma profunda tristeza e terem vontade de rir por estarem tristes. Podem chorar e rir ao mesmo tempo. Podem sentir-se com uma inquietude muito grande, caminharem desesperadamente, sentirem uma grande angustia e ao mesmo tempo sentirem que seus pensamentos encontram-se extremamente rápidos.. Geralmente o sentimento que melhor caracteriza o episódio misto e um sentimento desagradável, desconfortável, sufocante, de tristeza, angustia e agitação chamado de disforia.

7• TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR TEM TRATAMENTO?

A resposta para esta pergunta é, sem duvida, sim. O THB tem tratamento e este se baseia
na utilização racional de medicações chamadas estabilizadores do humor. Além dos estabilizadores do humor, podem ter de ser utilizadas outras medicações dependendo do momento da doença, como por exemplo antidepressivos (pelo menor tenmpo possível, pelo risco de induzirem euforia nos portadores de THB), antipsicóticos, benzodiazepínicos, entre outras medicações.
Os estabilizadores do humor se caracterizam por atuarem regulando tanto os sintomas das fases agudas maníacas (euforias/irritação) como das fases depressivas (tristeza), o chamado tratamento agudo. A utilização destas substâncias também se faz necessária para a prevenção de novas crises durante a vida dos portadores de THB, o chamado tratamento de manutenção ou profilático.
Os estabilizadores do humor pertencem basicamente a quatro famílias de substâncias. O estabilizador mais conhecido popularmente é o sal de Carbonato de lítio. Este também é o estabilizador mais usado e pelo qual se tem o maior conhecimento para seu uso tanto nas crises agudas, bem como na fase de prevenção das recaídas da doença, e ainda hoje é a medicação de primeira escolha na maioria dos casos. Seu uso sistemático no THB ocorre desde o final da década de 40. Seu uso é seguro desde que o acompanhamento seja feito por profissionais médicos. O segundo grupo de substâncias estabilizadores do humor são os anticonvulsivantes que, além de atuarem evitando convulsões em pacientes epiléticos, possuem uma potente ação no tratamento das fases agudas e de manutenção/prevenção dos THB. O uso destas substâncias é maior desde a década de 80. Inicialmente foram utilizadas com sucesso as substâncias Carbamazepina e Ácido Valpróico nas fases agudas e de prevenção. Posteriormente, apresentações destas medicações com menor número de efeitos colaterais foram lançadas no mercado para o uso em THB. São exemplos destas o Divalproato de sódio, a Carbamazepina e ocarbonato de lítio de liberação lenta.
Recentemente, a partir da segunda metade da década de 90 novas substâncias anticonvulsivantes estão sendo testadas para uso no THB. São exemplos destas a Gabapentina, a Lamotrigina e o Topiramato. Importante ressaltar que estas últimas medicações apresentam um menor número de evidências, até o presente momento, quanto a validade de seu uso nas fases de prevenção de novas crises.
Em terceiro lugar, encontramos substâncias que estão sendo usadas como efetivas no tratamento agudo do THB, são estas os antipsicóticos ditos atípicos como a Olanzapina.
Existe ainda uma miscelânea de medicações que vêm sendo testadas de forma mais esporádica e experimental no tratamento no THB, em especial nas suas formas refratárias de apresentação (mais difíceis) (como a clonidina, nimodipina, triptofano, entre outros).

8• COM QUE MEDICAÇÃO DEVE SER INICIADO O TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR?

A resposta não é muito simples, porém hoje em dia já há alguns indícios que ajudam na escolha da medicação mais adequada a cada caso. Pacientes que apresentam a forma mais intensa da doença, THB tipo I, e a sua forma mais leve e crônica, Ciclotimia, parecem se beneficiar do uso do Carbonato de Lítio. Já os pacientes que apresentam crises muito freqüentes, os chamados cicladores rápidos, e aqueles que apresentam tanto sintomas eufóricos (maníacos) e depressivos ao mesmo tempo – os chamados episódios mistos – se beneficiam com o uso de anticonvulsivantes (divalproato de sódio, por exemplo). Uma atenção especial deve ser dada ao tratamento da fase depressiva do THB porque quando estes pacientes são tratados apenas com antidepressivos podem piorar da sua doença. Sabe-se que, nos apcientes com THB, os antidepressivos podem provocar crises graves de euforia e, desta forma, aumentar o número e a gravidade das crises se não utilizados em associação aos estabilizadores do humor. Episódios de Depressão Bipolar exigem dos médicos psiquiatras cuidados especiais devido ao seumanejo de maior complexidade e dificuldade no sentido de não induzir euforia.

TODO PACIENTE QUE SOFRE DE THB DEVE COMUNICAR A QUALQUER MÉDICO QUE SOFRE DE UM TIPO DIFERENTE DE DEPRESSÃO (QUE É INTERCALADA POR FASES DE EUFORIA) E, PORTANTO, NÃO PODE EM HIPÓTESE ALGUMA USAR SOMENTE ANTIDEPRESSIVO, ESTIMULANTES (COMO O METILFENIDATO-Ritalina) E INIBIDORES DO APETITE (COMO A SIBUTRAMINA-Plenty) - MESMO QUE FITOTERÁPICOS - SEM FAZER O USO CONCOMITANTE DE UM ESTABILIZADOR DO HUMOR, NO SENTIDO DE PREVENIR AS CHAMADAS “VIRADAS MANÍACAS”.

Finalmente, cabe ressaltar que o tratamento farmacológico é uma das partes (absolutamente fundamental, é verdade) do atendimento global do paciente com THB. Em decorrência dos efeitos da doença sobre a vida afetiva, as relações sociais, detrabalho e a saúde física dos portadores de THB o tratamento ideal inclui o atendimento por parte de psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas e grupos de apoio, trabalhando unidos no sentido de ser obtida uma maior aderência do paciente ao tratamento farmacológico, assim como manejar diferentes estressores que são importantes contribuintes no desencadeamento e recaídas do THB.

9• COMO A FAMÍLIA E AMIGOS PODEM AJUDAR?

O tratamento medicamentoso é essencial mas não suficiente no THB. A doença possui expressões psicológicas e sociais, com repercussões na escola, no trabalho e na família. Uma das formas de minimizar seus efeitos é obter suporte da rede social e em especial da rede familiar.
A família é o principal cuidador do paciente e deve-se buscar, com esta, uma firme parceria através da difusão de informações quanto ao diagnóstico, tratamento e evolução da doença. Desta forma, a família se instrumentalizará melhor, sentindo-se mais capacitada para, junto com o paciente, buscar maior eficácia no enfrentamento da doença. É importante ressaltar que, apesar disso, cada novo episódio representa um novo desafio porque nele interferem problemas de natureza individuais, bem como as características e peculiaridades de cada família diante das questões que lhe cabem resolver.
Muitos pacientes apresentam diminuição da sua auto- estima, tendência ao isolamento ou excessiva exposição, dificuldades de identificar os sintomas , limitações para retomar atividades ou de assumir novos papéis na sua vida. Frente a estes fatores, as famílias são encorajadas a:
1) proporcionar uma atmosfera amistosa, com estímulos adequados e com estrutura e limites claros;
2) ajudar o paciente a manter o medicamento na dose prescrita pelo psiquiatra;
3) estimulá-lo a comunicar ao médico quando as medicações estiverem causando efeitos colaterais;
4) auxiliá-lo a identificar sinais de recaída;
5) comunicar imediatamente ao médico idéias de suicídio ou de desesperança;
6) buscar entender a diferença entre jeito de ser (característicos de cada pessoa) e sintomas;
7) evitar tomar titudes que reforcem a discriminação e o preconceito;
8) estimular o retorno do paciente às atividades da família ( lazer, rotinas domésticas, festas) evitando demasiadas exigência ou superproteção ;
9) reforçar o paciente a retomar sua vida ocupacional, social e afetiva;
10) evitar que a doença do paciente domine o ambiente familiar. Evitar, portanto, que todas as decisões e planos Familiares ocorram baseadas apenas no que o paciente precise, deseje ou tolere.

10• DICAS IMPORTANTES

Sobre Nutrição do paciente com THB
A seguir são descritas algumas orientações nutricionais aos pacientes portadores de THB. Tais orientações visam manejar da forma mais adequada alguns dos efeitos colaterais das várias medicações que, por ventura, um paciente bipolar venha a ter de utilizar (estabilizadores do humor, antidepressivos, antipsicóticos, entre outros). Sabe-se que muitas medicações usadas no Tratamento de Transtornos Mentais podem elevar o peso e isto tem sido um dos principais fatores de abondono ao tratamento pelos pacientes ( o que leva a sérios prejuízos e a chances consideráveis de recaídas, de agravamento e cronicidade das doenças
mentais). Entretanto, seguindo-se algumas dicas importantes o aumento de peso pode ser minimizado. A seguir algumas destas dicas são descritas.Dicas para uma alimentação saudável A seleção dos alimentos e o planejamento das refeições, muitas vezes são decisões difíceis para as pessoas. Vários fatores interferem nesta seleção, como por exemplo, preferências, hábitos alimentares, crenças, custo, disponibilidade de alimentos e doenças. Uma escolha correta e equilibrada contribui para promoção de uma vida mais saudável, com uma sensação de bem estar geral e prevenção de doenças e complicações.

A base de uma alimentação equilibrada é constituída de três fatores:
Variedade - consumir uma grande variedade de alimentos, pois cada alimento fornece um tipo de nutriente necessário ao organismo (proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais, fibras e água).

Moderação
– consumir alimentos em quantidades moderadas, principalmente aqueles ricos em gorduras e açúcares.

Proporcionalidade
- consumir relativamente quantidades maiores de alimentos pobres em gorduras e doces, tais como, frutas, verduras, grãos, leite magro e derivados, carnes magras, peixes, aves e, em quantidades menores, alimentos ricos em gorduras, óleos e açúcares.


Orientações gerais para evitar excesso de peso
• Faça de 5 a 6 refeições por dia;
• Não pule o café da manhã ou uma refeição principal, assim a vontade de beliscar fora de hora será bem menor;
• Evite os biscoitos doces. Quanto mais você come mais vontade terá de repetir;
• Faça uma lista de seus maus hábitos alimentares, como ingestão exagerada de doces, salgados, frituras. Procure eliminar um de cada vez da usa alimentação, será mais fácil do que retirá-los todo de uma só vez;
• Troque seu refrigerante por sucos naturais, chá;
• Mastigue muito bem o alimento;
• Evite gorduras, frituras, doces e refrigerantes;
• Use açúcar com moderação. Uma dieta com muito açúcar possui muitas calorias e poucos nutrientes;
• Faça todas as refeições em ambientes tranqüilos;
• Aumente a ingestão de verduras e frutas;
• Prefira frutas aos doces;
• Beba de 8 a 10 copos de líquidos por dia, fora das refeições;
• Coma apenas o necessário para saciar a fome;
• Faça as refeições em horários regulares;
• Evite “beliscar” entre as refeições;
• Exercite-se, mexa-se. Caminhadas são excelentes.

Orientações gerais para pacientes que apresentam boca seca
- Beber em média 08 a 10 copos de líquidos por dia;
- Evitar alimentação seca e excessivamente quente;
- Utilizar molhos e caldos à base de carne;
- Alimentos frios podem ser úteis para estimular a salivação, tais como picolés e sorvetes de frutas cítricas, entre
outros;
- Dar preferência a sucos e frutas cítricas (laranja, limão, bergamota);
- Chupar balas de limão e gomas de mascar sem açúcar;
- Mastigar bem os alimentos para estimular a salivação;
- Evitar alimentos muito salgados ou condimentados.

Orientações gerais para a evitar a constipação intestinal
- Comer frutas – laranja com bagaço, bergamota, mamão, ameixa, uva, manga, morango, kiwi, abacaxi (pelo menos três
vezes ao dia);
- Comer vegetais, de preferência crus;
- Preferir cereais integrais (pão integral, aveia, arroz integral, germe e farelo de trigo);
- Ingerir líquidos, entre as refeições (08 a 10 copos por dia);
- Não adiar o horário de ir ao banheiro. Se este procedimento é feito repetidamente, passamos a não ter mais a vontade de ir ao banheiro;
- Não abusar de arroz branco, farinhas, batata, aipim, pão branco, tortas, bolos, macarrão e outras massas, doces e bolachas;
- Evitar limão, banana prata, banana maçã, maçã, jabuticaba, goiaba (polpa, caroço), produtos de pastelaria, embutidos.
Coquetel de frutas laxativo, ingredientes:
- 5 ameixas pretas
- 01 fatia média de mamão
- 01 laranja pequena
- 02 colheres de sopa de iogurte natural

Modo de preparar:
Em 50ml de àgua, colocar as ameixas. Deixar de véspera, na geladeira.
No dia seguinte, colocar no liquidificador as ameixas com a àgua e os outros ingredientes e liquidificar.Tomar pela manhã em jejum.

Sobre o sono
Sugestões para dormir melhor
A insônia pode ser causada por vários fatores: estresse, ansiedade, ou algum problema físico e/ou emocional. Para o paciente portador do THB é absolutamente fundamental ter um ciclo sono-vigília bastante regulado ( noites mal dormidas podem desencadear episódios maníacos). Além do tratamento com medicamentos que podem, eventualmente, ser receitados pelo médico, o paciente pode usar técnicas de relaxamento e seguir algumas orientações que podem proporcionar um sono melhor e, consequentemente, um dia mais produtivo.
1. Dormir apenas o tempo suficiente para se sentir bem;
2. À noite, evitar tomar café, chá preto, chimarrão, bebidas do tipo cola ou guaraná e bebidas alcoólicas; evitar fumar pois a nicotina pode ter efeito excitante;
3. Fazer regularmente algum tipo de exercício físico, mas evitar exercitar-se à noite;
4. A prática de atividade sexual antes de dormir é muito relaxante (porém, não esquecer que um excesso nesta prática pode ser um dos sintomas precoces de um quadro de mania);
5. Procurar manter horários regulares para deitar e acordar;
6. Não dormir com fome ou após ter-se alimentado em excesso, pois refeições pesadas podem causar desconforto;
7. Os sons, a luminosidade e a temperatura podem interferir na qualidade do sono;
8. Evitar “brigar” com a cama. Se tentar e não conseguir adormecer, levantar e tentar fazer algo enfadonho ou repetitivo;
9. Uso de álcool, maconha ou outras drogas é extremamente prejudicial não somente para o sono mas também para o próprio THB.
10. O uso de medicamentos para dormir deve ser feito somente sob rigorosa orientação médica.

EM RESUMO !
O TRANSTORNO DO HUMOR BIPOLAR É UMA DOENÇA SÉRIA E CRÔNICA, MAS POSSUI TRATAMENTO.
QUANTO MELHOR OS PACIENTES, SEUS FAMILIARES E AMIGOS COMPREENDEREM A DOENÇA E O TRATAMENTO, MAIS FÁCIL SERÁ A CONVIVÊNCIA E O CONTROLE DO THB.

11• ONDE PROCURAR AJUDA ?
Devido às particularidades descritas anteriormente sobre o THB, os seus portadores devem ser
acompanhados preferencial e idealmente por uma equipe multiprofissional de Saúde Mental ( psiquiatra, enfermeira, psicóloga, assistente social, nutricionista). Informações adicionais podem ainda ser obtidas junto a:
• Hospitais Universitários
• Hospitais psiquiátricos públicos
• Rede de Serviços de Saúde Mental do Estado e Município (Postos de Saúde)
• Serviços ambulatoriais de hospital geral
• Clínicas e Hospitais privados
• Médicos de família ou clínicos gerais
• Especialistas em Saúde Mental

 
S T A B I L I T A S
Em busca do ponto de equilíbrio